A ressureição tricolor, em pleno Estádio dos Aflitos

Em meio a uma pilha de páginas em branco e alguns quilos de poeira, um objeto, não identificado, foi encontrado por operários, na sala gráfica da Folha de Pernambuco. Após alguns chutes, e nenhum acerto, ficou claro que tínhamos em mãos uma “Máquina do Tempo” endereçada para a Editoria de Esportes. E, como neste domingo é dia de Clássico das Emoções, nada como visitar uma partida marcante entre Náutico e Santa Cruz, pelo Estadual. Assim, 1990 foi eleito como o primeiro paradeiro para a nossa grande viagem. O ano escolhido foi emblemático para o Tricolor do Arruda. A equipe da época tinha muito em comum com o Santa Cruz de hoje. Um elenco formado por jovens valores – sem estrelas – e que apostaram na vontade para chegar ao título daquele ano. O primeiro grande teste dos tricolores foi contra o favorito Timbu – campeão de 1989 -, no dia 28 de janeiro de 1990. Como mestre de cerimônias, o ex-atleta e principal jogador do Santa Cruz, José Wellington da Silva Aranha – o Leto – que marcou o “Gol Papai” na vitória por 2×1, em cima do alvirrubros, em pleno Estádio dos Aflitos.

De um lado, o favoritismo vestido de vermelho e branco, do outro, a raça defendida pelas três cores da Cobra Coral. Foi assim que as equipes de Náutico e Santa Cruz entraram no Estádio dos Aflitos para o primeiro clássico do Campeonato Pernambucano de 1990. O resultado final, de 2×1, ecoa até hoje a emoção tricolor em plena Rosa e Silva. Mesmo com o gol alvirrubro do centroavante Bizu, no início da partida, os tricolores não respeitaram a casa do adversário e viraram na base da emoção com os atacantes Mazio e Leto, ainda no primeiro tempo. O segundo tento, inclusive, sendo dedicado ao filho do matador, que acabara de nascer.

“Entramos nervosos. Não era mais um Clássico das Emoções. Era o nosso grande teste”, contou o autor do gol tricolor, Leto, que viu a equipe sendo “reprovada” logo no começo do jogo. Após o apito inicial do árbitro Arlindo Maciel, o atacante alvirrubro Nivaldo foi lançado e partiu em velocidade em direção ao gol do Santa Cruz. Antes da conclusão da jogada, o goleiro Banana teve de intervir, derrubando o jogador. Pênalti! Na cobrança, o companheiro de ataque Bizu chutou com violência e fuzilou a meta do arqueiro coral: 1×0.

Com a abertura do placar, o cheiro de goleada começava a pairar pelos Aflitos. “Se já era difícil enfrentar o Náutico em casa, imagina começar o jogo já com um gol de desvantagem. Olhávamos um para o outro, dentro de campo, e passamos a entender que teria de ser na base da superação”, falou o ex-atacante tricolor.

Ainda no primeiro tempo, o goleiro alvirrubro Mauri se machucou em uma jogada de ataque tricolor, e foi substituído por Jorge Pinheiro. Também por conta de contusão, o volante tricolor Ragne foi sacado pelo treinador Erandir Montenegro. O também cabeça de área Marcelo entrou na vaga.

E na dança das cadeiras, quem se deu bem foi o Santa Cruz. O volante ganhou de Müller e tocou para Mazinho, que invadiu o campo alvirrubro e lançou na área. Enquanto os defensores do Timbu bateram cabeça, o atacante Mázio apareceu de surpresa e estufou as redes. Empate tricolor: 1×1. “Com o empate, percebemos que era possível. E fomos para cima do Náutico”, contou Leto, que em poucos minutos escreveu o nome na história do jogo.

A jogada começou com Eduardo que, aos 47 minutos, cruzou para o ponta-direita desempatar de cabeça. “Foi uma emoção danada. Meu primeiro gol pelo Santa aconteceu em um momento muito importante”, disse. “Esse é o lado bom de jogar nos Aflitos. Você consegue ver o rosto do torcedor emocionado. Dediquei a comemoração ao meu filho que havia nascido naquela semana”.

No segundo tempo, o Náutico voltou com tudo para cima dos tricolores. Mas o Santa Cruz tinha um tal de Banana que fechou a meta coral. O arqueiro teve uma atuação impecável no segundo tempo e garantiu os três pontos para o Tricolor. “Nos vestiários, não acreditávamos. Durante a semana, o Náutico era apontado como favorito. Nossa meta era pelo menos o empate. Mas, nos superamos e, com a vitória, iniciamos a caminhada do título de 1990”, finalizou o ponta-direita.

Ficha técnica:

Náutico 1 x 2 Santa Cruz

Local: Estádio dos Aflitos

Árbitro: Arlindo Maciel

Assistentes: Édson da Hora e Elias Damásio

Gols: Bizu (aos 2 do 1ºT), Mázio (aos 37 do 1ºT) e Leto

(aos 47 do 1ºT)

Renda: NCz$ 244.910 – Público: 7.285

Náutico: Mauri (Jorge Pinheiro); Levi, Freitas, Romildo e Sivaldo; Gena, Müller e Erasmo; Nivaldo, Bizu e Augusto (Léo). Técnico Nereu Pinheiro

Santa Cruz: Banana; Marinaldo, Fernando Timbaúba, Tanta e Eduardo; Ragne (Marcelo), Mázio e Sérgio China; Leto, Mazinho e Wanks. Técnico: Erandir Montenegro

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