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Queda livre: 12 clubes que “santacruzearam” no passado

Sem Brian Clough (de verde), o Nottingham Forest perdeu o rumo e foi parar nas divisões inferiores da Inglaterra

Por Fellipe Igor Teodoro

Grandes quedas em curtos espaços de tempo não são exclusividade do Santa Cruz. Apesar da história do clube ter se mostrado um caso único e particular, outros clubes tradicionais em suas regiões e países passaram por momentos tão trágicos quanto os da Cobra Coral.

Seja por questões financeiras, políticas ou por falta de organização, os times a seguir foram parar em divisões incompatíveis com seus resultados. Alguns, aos poucos, tentam se reerguer, mas há quem vá completar mais de uma década de maus resultados e não consiga enxergar um futuro promissor…

Clubes espanhóis: Más administrações, elencos medíocres e, principalmente, uma Federação que não deixa clubes com problemas financeiros saírem impunes, fizeram com que muitos times freqüentadores de La Liga nos anos 80 e 90 despencassem rumo ao limbo. O mais conhecido é o Alavés, vice-campeão da Copa UEFA no início da década e hoje na terceira divisão. Há ainda Badajoz, Extremadura e Mérida, que competem na quarta divisão; além de Compostela e Real Oviedo, recém-promovidos a terceira divisão. Boa parte das punições e rebaixamentos ocorreu há anos, mas os clubes ainda não encontraram o caminho de volta ao topo.

Verona: Um título italiano, na temporada 1984/85, uma série de participações em competições européias, e craques como Briegel, Elkjær, Gauderisi e Paolo Rossi. O futuro dos Gialloblu parecia tão promissor que, para provocar, seus torcedores diziam que quando o rival Chievo chegasse a elite, burros voariam. Hoje, o Chievo está na Série A, ainda que não tenha se aproximado dos feitos do Verona, que, por sua vez, passou de candidato a grande a integrante da terceira divisão, onde já chegou a ser ameaçado de rebaixamento.

BFC Dynamo: Nem o mais pessimista torcedor do clube iria acreditar que um dos maiores campeões da Alemanha Oriental – conquistou 10 títulos consecutivos na década de 80 – iria parar em uma quinta divisão. Uma debandada de jogadores, e uma isolada má campanha na temporada 1990/91, fez com que o time fosse parar logo de cara na terceira divisão da Alemanha reunificada. O passado cercado de suspeitas em relação a origem dos títulos fez com que o time nunca tivesse o apoio necessário para um retorno, e a atual temporada já é a sexta consecutiva jogando pela Oberliga Norte.

Nottingham Forest: De todas as histórias envolvendo clubes decadentes, eis a mais trágica. A história do clube pode ser facilmente dividida entre antes e depois de Brian Clough, ex-jogador da seleção inglesa e ídolo do Middlesbrough. Como técnico, Clough ajudou a tirar a equipe da segunda divisão e a levou a conquista de onze competições, dentre elas duas Ligas dos Campeões da Europa, um feito inacreditável que surpreendeu o continente inteiro. Em 93, dezoito anos após assumir o cargo, Clough foi embora. E quase dezoito anos depois de sua saída, a torcida ainda sente falta de um grande treinador e de bons jogadores, o que a faz sofrer com campanhas modestas no mesmo campeonato de onde o clube sairia para viver seus melhores momentos.

Matonense: Na década de 90, conseguiu uma inacreditável série de acessos, saindo da quarta para a primeira divisão paulista em apenas três anos. O time liderado pelo atacante Táxi, que ganhou fama graças as narrações de Luciano do Valle, parecia ter um futuro promissor. Ledo engano. Crises políticas fizeram com que o time chegasse a ter dois presidentes, cada um com um grupo de jogadores, e em pouco tempo o time voltara a mesma quarta divisão de onde havia saído. Em 2008, a Águia Azul esteve licenciada, e neste ano, apesar de alguns bons resultados, já foi eliminada da última divisão estadual.

Bangu: Está certo que campanhas como o vice-campeonato brasileiro de 1985 só foram possíveis, em grande parte, pela ajuda do bicheiro Castor de Andrade, presidente de honra e financiador do clube. É verdade, porém, que mesmo antes da morte de Castor, em 1997, o clube que detém dois campeonatos cariocas e tem uma participação na Libertadores já não vivia seus melhores dias. Mas a atual década pode ser considerada como perdida para o clube desistiu por dois anos consecutivos de jogar competições nacionais, das quais o clube não participa desde 2004.

Inter de Limeira: Assim como no caso do Bangu, trata-se de um time cujos momentos de glória fazem parte de um passado cada vez mais distante. Mas para quem foi o primeiro clube do interior a conquistar o título paulista e ainda duas edições da Série B estadual, equivalente a quarta divisão paulista (e onde o clube irá jogar em 2010), é muito pouco. Há alguns anos sem dar sinais de que teria condições de fazer boas campanhas, o Leão da Paulista parou de rugir. Os atuais gestores, no entanto, garantem que a torcida terá motivos para comemorar o centenário em 2013. Algo que só o tempo dirá.

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Gobatto: “Até hoje não entendo a desclassificação do Santa”

Gobatto marcou um dos gols no empate com o CSA, partida que custou a eliminação na Série D

Por Diego Ribeiro

Aos 27 anos, o meio-campista Leandro Gobatto deixou de lado o conforto de viver no exterior – e ganhar em moeda estrangeira – e aceitou o desafio de vestir a camisa 10 do Santa Cruz em um dos piores momentos da história do clube pernambucano. Paulistano, revelado pelo Juventus e com passagens por Itália (Piacenza, na segunda divisão) e Costa Rica (Brujas), Gobatto voltou ao Brasil para ver seu nome ganhar projeção nacional.

A eliminação precoce da Série D, porém, não estava nos planos do meia. Depois daquele fatídico 9 de agosto de 2009, Gobatto ficou um período sem poder jogar, já que havia rescindido contrato no Santa e não havia encontrado outro clube para disputar o segundo semestre. De férias forçadas, atendeu o Última Divisão por telefone e não hesitou em falar dos motivos que levaram à derrocada tricolor, do atraso de salários e de outras questões polêmicas, em uma entrevista exclusiva ao blog.

No dia da conversa, Gobatto ainda negociava sua ida para um “clube goiano da Série B”. O Vila Nova seria esse clube, mas não houve acerto. Depois veio o encerramento das inscrições para as Séries A e B e o fechamento da janela de transferências para a Europa, quando o jogador se viu quase “sem saída”. Neste mês, porém, Gobatto aceitou a proposta do modesto São Bernardo FC, pelo qual disputará a Série A-2 do Campeonato Paulista em 2010 e tentará esquecer o inexplicável fracasso na Série D do Campeonato Brasileiro.

Última Divisão: Dá para entender o porquê de o Santa Cruz ter sido eliminado?
Gobatto: Dentro de campo, não dá para entender. Posso te garantir, fizemos bons jogos. Mas o último foi absurdo. Precisando da vitória, em casa, pressionamos demais, perdemos todas as chances possíveis. Era bola que ia na trave, que o goleiro fazia milagre, que passava raspando. Tentamos de tudo. Eles só tiveram dois ataques no jogo inteiro, e fizeram os dois gols. Foi inacreditável, saímos de campo sem entender, entramos no vestiário sem entender, e assim eu fico até hoje. Os resultados nos favoreciam, mas mesmo assim não deu nada certo.

(Nota da redação: O jogo foi contra o CSA, no Arruda, com mais de 30 mil torcedores. A vitória do Central sobre o Sergipe, no outro jogo do grupo, fez com que o Santa dependesse apenas de uma vitória simples em casa. Porém, o time cedeu o empate por 2 a 2 após ficar duas vezes em vantagem no placar)

UD: Mas como era o clima no grupo? Isso pode ter atrapalhado?
G: Diziam que a gente era rachado, mas nunca teve nada disso, uma discussão sequer. Acima de tudo, foi um grupo de homens. Não tinha porque ter confusão, afinal todo mundo queria a mesma coisa: levar o time para a Série C e aparecer no cenário nacional. Essa era a intenção de todo mundo.

UD: A troca de técnico custou caro para o time?
G: Isso fez diferença sim, sempre faz. O Márcio já tinha um método de trabalho implantado, além do mais era experiente e sabia tranquilizar o grupo. Com o China foi diferente. Ele é uma grande pessoa, mas ainda não estava preparado para assumir esse cargo. Foram muitas mudanças em relação ao trabalho do Márcio e nós acabamos sentindo, por isso tropeçamos na Série D. Quando o Márcio voltou, já estava muito mais difícil a classificação.

(Márcio Bittencourt deixou o comando, Sérgio China assumiu por um mês e Márcio voltou na sequência, tendo apenas dois jogos para tentar classificar o time para a fase seguinte da Série D. Não conseguiu.)

UD: Qual foi a culpa da diretoria nessa situação?
G: Culpa quase zero. É preciso elogiar os esforços do presidente Fernando Bezerra, do diretor Luiz Antônio (Ruas Capella, que deixou o Santa antes da eliminação e foi para o Santos) e de toda a diretoria, que fez o máximo para trazer reforços. Em relação ao clube, não tenho do que reclamar.

UD: Tecnicamente, você não tem onde jogar até o fim do ano. Como vai lidar com isso?
G: Tinha contrato com o Santa Cruz até o fim de dezembro, que já foi devidamente rescindido (no final de agosto, apesar de o boletim diário da CBF mostrar que o contrato ainda está em vigor). Meu empresário teve contatos com alguns clubes do exterior e também da Série B daqui. O acerto com um time de Goiânia quase veio, mas infelizmente não deu certo. Já deixei o Recife e ficarei em casa (em São Paulo) aguardando uma definição sobre o futuro.

(Em 12 de novembro, pouco mais de três meses da eliminação com o Santa, Gobatto acertou com o São Bernardo FC para a disputa da Série A-2 do Campeonato Paulista)

UD: Mas você voltaria para o Santa Cruz para jogar até o fim do ano?
G: Eles não estão disputando competições oficiais, então não vejo motivo para um retorno. Já estou pensando no futuro para a próxima temporada. Depois, quem sabe? Mas agora não tem nem como eu voltar.

(Nota da redação: O time disputou a Copa Pernambuco com um elenco totalmente diferente do da Série D. Entre os titulares, os mais conhecidos são o meia Thiago Henrique e o atacante Roger, que jogaram a Série D. Apesar disso, o time do técnico Dado Cavalcanti chegou até a final com o Central de Caruaru e está em busca do bicampeonato do torneio. Em 2010, porém, o técnico será Lori Sandri)

UD: Quais são suas melhores lembranças no clube?
G: São duas, certamente. Primeiro um gol que eu fiz contra o Serrano, meu primeiro com a camisa do time, depois a torcida. É maravilhosa e não merece estar passando por esse momento. No dia do último jogo, o Arruda estava lindo, lotado, e nos apoiou o tempo inteiro. O mais incrível foi ver que o time acabou eliminado da última divisão e nem assim eles vaiaram. O que se viu foi um enorme silêncio, torcedores deixando o campo cabisbaixos. Isso me deixa ainda mais indignado por não ter conseguido a classificação.

UD: Você pretende continuar no futebol brasileiro ou quer voltar para o exterior?
G: Fiquei um bom tempo lá fora, joguei na Itália, na Costa Rica… Acabei pouco conhecido por aqui, e queria mesmo me firmar no futebol brasileiro. Porém, se não tiver uma boa proposta fica complicado. E se aparecer uma boa do exterior, acho que volto. Mas primeiro quero ouvir os clubes daqui, alguém que tenha um projeto legal. Não é bom para a carreira ir para qualquer clube.

UD: A passagem pelo Santa Cruz foi prejudicial ou benéfica para você?
G: Apesar das eliminações, foi benéfica sim. Passei a ficar mais conhecido no cenário nacional, fiz bons jogos e acredito que, pelo menos individualmente, foi uma boa temporada para mim. Mas ainda posso fazer mais, e farei.

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Dossiê Santa Cruz: a saga coral de A a D

por Julio Simões

Um dos clubes mais tradicionais do Brasil, com uma torcida que se intitula a “mais apaixonada” e dono de mais de 20 títulos estaduais e algumas boas campanhas em campeonatos nacionais. Este é o Santa Cruz, a Cobra Coral, clube que conseguiu recentemente uma façanha inédita na história do futebol brasileiro, totalmente inversa a seus anos de glórias e conquistas: três rebaixamentos em três anos.

Santa Cruz de A a D

2005 – Campeão pernambucano e vice na Série B do Campeonato Brasileiro

2006 – Vice-campeão pernambucano e rebaixado à Série B do Brasileiro

2007 – Sexto no Pernambucano e rebaixado à Série C do Brasileiro

2008 – Sétimo no Pernambucano e eliminado na Série C do Brasileiro

2009 – Terceiro no Pernambucano e vaga na recém-criada Série D do Brasileiro, onde acabou eliminado na primeira fase

2010 – Precisa de uma boa colocação no Pernambucano para poder disputar novamente a Série D

Em 2009, disputou a recém-criada Série D do Campeonato Brasileiro e, num episódio que calou mais de 30 mil torcedores no estádio Arruda, acabou eliminado ainda na primeira fase do torneio. Naquela ocasião, bastava uma vitória sobre o CSA e uma vitória do Central sobre o Sergipe para o time de Márcio Bittencourt seguir sonhando com o acesso. O Central até fez a sua parte, mas o Santa apenas empatou com o CSA e acabou eliminado.

Neste mini-especial, o Última Divisão relembra o ponto mais baixo da história do Santa Cruz com uma entrevista exclusiva do camisa 10 do time na ocasião, Leandro Gobatto, ao repórter Diego Ribeiro, além de um histórico completo de outros times que tiveram trajetórias parecidas com a Coral, de quedas bruscas e muitas vezes irreversíveis em suas trajetórias futebolísticas, escrito por Fellipe Igor Teodoro. Confira abaixo os links para as duas reportagens:

Gobatto: “Até hoje não entendo a desclassificação do Santa”

Queda Livre: 12 clubes que “santacruzearam” no passado

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